Representantes do setor empresarial defenderam nesta quarta-feira (10) a redução dos encargos trabalhistas como medida essencial para elevar a competitividade dos produtos nacionais frente aos importados. Durante audiência na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, as entidades também expressaram forte crítica às propostas em tramitação que visam restringir a jornada de trabalho, especialmente o fim da escala 6x1.
Fábio Augusto Pina, da Fecomércio de São Paulo, argumentou que a discussão sobre a jornada de trabalho não deveria ocorrer em ano eleitoral, ressaltando a necessidade de avaliar a viabilidade das propostas atrelada ao aumento da produtividade. Ele destacou: “Ninguém discutiu se isso é viável e tem que ser viável através da produtividade”.
Roberto Ordine, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, questionou a necessidade de intervenção estatal, uma vez que já existem mecanismos como acordos trabalhistas para ajustar escalas de trabalho. “Através dos acordos trabalhistas, podemos ajustar essas condições. Por que o Estado precisa intervir aqui?”, indagou.
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP), proponente do debate, informou que solicitou a convocação de representantes patronais em todas as audiências futuras sobre o fim da escala 6x1 na Câmara.
O Custo Brasil sob a lupa
Na mesma audiência, o economista Carlos Costa apresentou uma estimativa de R$ 1,5 trilhão para o chamado Custo Brasil, representando a diferença anual de se operar negócios no país em comparação a nações desenvolvidas. Ele enfatizou a urgência na redução de encargos trabalhistas e da carga tributária, além de defender um novo marco regulatório para o setor elétrico.
Pina complementou, apontando a necessidade de um novo teto de gastos para o setor público, visando a diminuição do endividamento e, consequentemente, da taxa básica de juros. Ele também lamentou as dificuldades em aumentar a produtividade nacional, atribuindo parte do problema à baixa qualidade do ensino básico.
Renato Corona, da Fiesp, apresentou dados indicando que a diferença de preço entre produtos nacionais e importados chega a 24,1% em média. Quanto à carga tributária, o Brasil registra 32,5% do PIB, enquanto países parceiros apresentam 26,5%.

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