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Terça-feira, 21 de Abril 2026

Celebridades

Povos indígenas cobram demarcações e proteção em seu dia

Organizações enfatizam a demarcação de territórios como vital para a sobrevivência e cultura indígena, segundo Apib, Coiab e Anistia Internacional.

Edivan Sant'Anna
Por Edivan Sant'Anna
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Povos indígenas cobram demarcações e proteção em seu dia
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Em celebração ao Dia dos Povos Indígenas, ocorrido neste domingo (19), diversas organizações manifestaram a urgência na demarcação de terras para essas comunidades. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) reforçou que a demarcação representa uma reparação histórica e que a posse de seus territórios é fundamental para a existência dos povos originários.

A Apib declarou em suas redes sociais que a luta pela demarcação é uma resistência contínua contra os ataques aos territórios e à integridade física dos indígenas. A organização enfatizou: “Sem demarcação não há vida, não há cultura, não há futuro. Território é onde plantamos, onde rezamos, onde enterramos nossos ancestrais e onde nossos filhos vão crescer”.

A entidade também denunciou a violência sistemática e a exploração predatória que afetam as comunidades indígenas.

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“Precisamos que parem de violentar nossos corpos e territórios. Garimpo ilegal, madeireiro, invasão, assédio, feminicídio: nada disso é tradição. Violência não é cultura. Demarcar é reparar. Não há soberania nem democracia sem território demarcado”, afirmou a Apib.

A Apib é responsável pela organização do Acampamento Terra Livre, em Brasília, reconhecido como o principal evento de mobilização indígena no Brasil. Realizado no início de abril, o encontro reuniu representantes de grande parte dos 391 povos originários do país, além de delegações de outras nações, para discutir a defesa territorial e expor as violações de direitos.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) também reiterou a necessidade de proteção e demarcação das terras indígenas. A organização alertou que a devastação dessas áreas impacta diretamente o equilíbrio ecológico da Amazônia, intensificando fenômenos como secas severas, incêndios e degradação ambiental.

“Os territórios indígenas estão sob ataque permanente, com o garimpo ilegal, desmatamento, grilagem e grandes empreendimentos que avançam sobre a Amazônia, invadindo terras que deveriam estar protegidas. E isso não é um conflito isolado, mas sim um projeto contínuo de exploração sobre os nossos territórios”, comunicou a Coiab.

A Anistia Internacional também se juntou às vozes no Dia dos Povos Indígenas, clamando por agilidade na devolução e demarcação de terras. A organização declarou que “Só será possível falar em celebração quando os direitos de todos os povos originários no Brasil e no mundo forem plenamente garantidos”.

“Demarcar terras, proteger comunidades e respeitar modos de vida que mantêm vivas culturas, saberes e tecnologias ancestrais não é apenas uma reparação histórica. É garantir futuro. Quando esses direitos são violados, não se perde apenas o passado, perde-se também a possibilidade de amanhã”, complementou a Anistia Internacional.

A Anistia International destacou, citando a Organização das Nações Unidas (ONU), que os povos indígenas são guardiões de aproximadamente 80% da biodiversidade global. “A resposta para a crise do presente já existe e ela vem de quem sempre esteve aqui. Defender os direitos dos povos indígenas é defender os direitos humanos”.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) manifestou seu apoio à valorização e ao reconhecimento dessas populações. “Os povos indígenas estão presentes em diversos espaços, assim como na Funai, seja diante das ações da política indigenista, seja na gestão da Fundação”, afirmou a entidade.

“Com essa gestão indígena, avançamos na demarcação e na proteção dos territórios indígenas, além do fortalecimento dos direitos e na autonomia da gestão das terras indígenas”, concluiu a Funai em sua comunicação.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno Bocchini - repórter da Agência Brasil

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