Aguarde, carregando...

Sábado, 09 de Maio 2026
Economia

Juros elevados e o novo Desenrola: o impacto no endividamento das famílias brasileiras

A alta taxa Selic e o spread bancário acentuam a crise financeira dos lares, levando ao lançamento do programa governamental para renegociação de dívidas.

Edivan Sant'Anna
Por Edivan Sant'Anna
/ 0 acessos
Juros elevados e o novo Desenrola: o impacto no endividamento das famílias brasileiras
© Tomaz Silva/Agência Brasil
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O crescente endividamento das famílias brasileiras, impulsionado pela elevada taxa Selic e pelos expressivos spreads bancários aplicados pelas instituições financeiras, motivou o governo a lançar, nesta semana, o Novo Desenrola. Economistas alertam que a conjuntura econômica, marcada por juros exorbitantes, tem contribuído significativamente para a deterioração da capacidade financeira dos lares no país.

O spread bancário representa a diferença entre os juros pagos pelos bancos e os juros cobrados nos empréstimos aos consumidores. No Brasil, esse indicador atingiu 34,6 pontos percentuais (p.p.) em março, um aumento considerável em relação aos 29,7 p.p. registrados no mesmo período do ano anterior.

Para contextualizar, o Banco Mundial estima que o spread bancário médio global gire em torno de 6 p.p., evidenciando a particularidade do cenário brasileiro.

Publicidade

Leia Também:

Maria Lourdes Mollo, professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), explicou que a magnitude da taxa Selic, definida pelo Banco Central (BC), influencia diretamente a elevação dos juros praticados pelos bancos sobre as famílias.

“Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem uma relação direta, sem dúvida nenhuma, com o endividamento das pessoas, o que tem dificultado muito a economia a funcionar”, afirmou Maria de Lourdes.

A professora da UnB também apontou a precarização dos empregos no Brasil, decorrente da reforma trabalhista do governo de Michel Temer, como um fator agravante para a situação financeira das famílias.

“Grande parte das pessoas está se endividando para completar o orçamento, para pagar despesas com saúde e do cotidiano. Esse Novo Desenrola pode liberar um pouco o orçamento das pessoas e, eventualmente, até dar um estímulo à economia”, complementou Maria Lourdes.

O Brasil detém a segunda maior taxa básica de juros reais do mundo, após descontada a inflação, alcançando 9,3%. Apenas a Rússia, país em conflito, supera este patamar com 9,6%. O México figura em terceiro lugar, com 5,0%, conforme dados do site especializado Moneyou.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a taxa Selic foi ajustada para 14,5%, com uma redução de 0,25 p.p., ainda considerada elevada por muitos. Embora o BC defenda a taxa como essencial para o controle inflacionário, críticos questionam seu patamar excessivamente alto.

Endividamento das famílias atinge novo recorde

Pelo quarto mês consecutivo, o número de famílias com dívidas no Brasil cresceu, atingindo 80% em abril, um novo recorde histórico, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice de famílias inadimplentes, com contas em atraso, manteve-se relativamente estável em 29,7%.

A CNC ressalta que “as famílias que ganham até três salários mínimos registram o maior nível de endividamento (83,6%) e o maior índice de contas em atraso (38,2%)”, evidenciando a vulnerabilidade dos grupos de menor renda.

Líder mundial no spread bancário

Juliane Furno, professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), argumenta que o elevado endividamento das famílias brasileiras pode ser explicado pelas “altíssimas” taxas do spread bancário.

“O Brasil tem um dos maiores spreads bancários do mundo, em algumas comparações recentes, aparece no topo do ranking. O spread é elevado, segundo os bancos, porque a inadimplência é muito alta. Só que posso também dizer que a inadimplência é alta porque os juros (spread) são altos”, pondera Juliana.

O ranking da World Open Data, com informações de 2024, posiciona o Brasil como o país com as maiores taxas de spread do planeta, seguido por República Tcheca, Sudão do Sul, Serra Leoa, Moçambique, Angola, Ucrânia e Timor Leste.

Dados do BC de março indicam que os bancos cobram das pessoas físicas, ou seja, das famílias, uma taxa de juros média de 61% ao ano. Para as empresas, essa taxa média foi significativamente menor, em 24%.

Maria Mello de Malta, professora de economia política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pondera que, sendo a taxa básica do Brasil a segunda mais alta do mundo, ela naturalmente impulsiona os bancos a elevarem suas taxas para a população.

“Quando a taxa Selic está alta, todas as outras estão sempre mais altas. Quando o trabalhador vai pagar o empréstimo dele, e passa do limite e não consegue pagar o cartão de crédito, os juros serão mais altos que a Selic”, explicou Maria à Agência Brasil.

Malta acrescenta que essa dinâmica cria uma “bola de neve”, onde famílias trabalhadoras buscam “outra fonte para poder pagar a primeira dívida e vão se endividando progressivamente”.

Os juros mais elevados praticados no Brasil são os do rotativo do cartão de crédito, que podem ultrapassar 400% ao ano.

Novo Desenrola: alívio para o bolso do brasileiro

O governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil, um programa que visa auxiliar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a renegociar dívidas, regularizar seu nome e restabelecer o acesso ao crédito.

Esta nova fase da iniciativa terá uma duração de 90 dias e oferece descontos de até 90%, juros reduzidos e a possibilidade de utilizar o FGTS para abatimento de débitos, buscando aliviar a pressão sobre o orçamento familiar.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp PORTAL SERGIPE NEWS OFICIAL
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR