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Quinta-feira, 16 de Abril 2026

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Lula apela por apoio sindical para extinguir escala 6x1 de trabalho

Entidades apresentaram 68 demandas ao presidente para os próximos cinco anos.

Edivan Sant'Anna
Por Edivan Sant'Anna
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Lula apela por apoio sindical para extinguir escala 6x1 de trabalho
© Valter Campanato/Agência Brasil
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Um dia após o governo encaminhar ao Congresso Nacional a proposta de lei para limitar a jornada de trabalho a no máximo 40 horas semanais e acabar com a escala 6x1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 68 reivindicações de representantes de centrais sindicais no Palácio do Planalto. O encontro ocorreu nesta quarta-feira (15), em Brasília, após a “marcha da classe trabalhadora” na Esplanada dos Ministérios.

Dirigindo-se aos líderes sindicais, o presidente enfatizou a necessidade de mobilização e pressão por parte dos trabalhadores para garantir a aprovação da redução da jornada de trabalho enviada ao Legislativo.

“Vocês não podem abrir mão da responsabilidade sagrada que têm de lutar pelos trabalhadores que representam”, declarou. Lula reconheceu que o período é desafiador: “Não há tempo fácil. Sempre exige muito sacrifício. E, toda vez que enviamos algo para aprovação no Congresso, é preciso que vocês ajudem”, argumentou.

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Burnout

Durante o evento, Lula prestou homenagem ao ativista e ex-balconista Rick Azevedo, idealizador do movimento Vida Além do Trabalho, que inspirou o projeto de redução da jornada. O presidente chegou a sugerir que, caso a lei seja aprovada, ela poderia levar o nome do ativista.

Azevedo relatou ao presidente ter sofrido com burnout e depressão devido ao excesso de trabalho e à falta de descanso. “Em 13 de setembro de 2023, eu disse: ‘chega’. Então, postei um vídeo no TikTok indignado, denunciando esse modelo de trabalho de seis dias seguidos com apenas um dia de folga. O vídeo viralizou”, relembrou.

Críticas a retrocessos

Lula aproveitou a reunião com as centrais sindicais para criticar as reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019), além de outras medidas que, em sua opinião, representam um retrocesso para a classe trabalhadora.

O presidente avalia que a batalha dos trabalhadores se tornou mais árdua para as centrais sindicais neste momento. Ele também alertou que existem grupos no Brasil que se opõem a essas medidas e defendem propostas semelhantes às implementadas na Argentina, que incluem a possibilidade de estender a jornada de trabalho para 12 horas diárias.

Momento de transformação

Os representantes das centrais sindicais acolheram com satisfação a decisão do governo de propor o fim da escala 6x1. Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), destacou o potencial da redução da jornada para impulsionar o mercado de trabalho: “Essa medida pode gerar 4 milhões de empregos”, afirmou.

Segundo o presidente da CTB, o Brasil possui a capacidade de se reestruturar com uma nova indústria focada em sustentabilidade socioambiental e na superação de processos de desregulamentação. Ele ressaltou o alto risco da pejotização, modalidade em que um profissional é contratado como pessoa jurídica, mas exerce funções típicas de um empregado regido pela CLT.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, também abordou a necessidade de preservar direitos e reduzir a jornada de trabalho. Ele celebrou o sucesso da marcha, que reuniu mais de 20 mil trabalhadores, e considerou o projeto pronto para entrar em vigor.

“É mais tempo para a família, para a saúde, para o lazer, para estudar e para si mesmo.”

Transformações

Clemente Ganz, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, explicou que o conjunto de 68 reivindicações apresentado ao presidente abrange os próximos cinco anos. Para Ganz, as categorias precisam estar preparadas para um mundo do trabalho em profunda mutação, com avanços tecnológicos que afetam a todos.

“Mulheres e jovens serão os mais afetados pela inteligência artificial e pela inovação tecnológica, conforme indicam os estudos mais recentes da OIT. Temos também a questão das mudanças climáticas e da emergência ambiental, que impactam o universo laboral”, observou.

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, mencionou a importância de proteger trabalhadores de aplicativos e entregadores. “É fundamental cuidar da vida, da saúde e da juventude, que representa o futuro do nosso país”, declarou.

Sônia Zerino, presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), também presente no evento, afirmou que a pauta da classe trabalhadora deve incluir o combate ao feminicídio. “Precisamos combater isso através da conscientização da população, com base na educação”, defendeu.

FONTE/CRÉDITOS: Luiz Cláudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil

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