O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado (9) a suspensão da aplicação da Lei da Dosimetria. A medida, que impacta diretamente os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, foi tomada enquanto a Corte aguarda o julgamento de diversas ações que questionam a constitucionalidade da norma.
Em sua decisão, o ministro argumentou que a existência de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) contra a Lei da Dosimetria constitui um "fato processual novo e relevante". Tal cenário justifica a interrupção da aplicação da legislação até que o Supremo Tribunal Federal conclua sua análise sobre a validade do texto.
Com essa suspensão, os indivíduos já condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023 terão de aguardar a deliberação final do STF para terem acesso aos benefícios que a lei poderia oferecer, como a potencial redução das penas aplicadas.
Questionamentos sobre a constitucionalidade
Durante a análise dos requerimentos, Moraes destacou que entidades como a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a federação PSOL-Rede já haviam procurado o Supremo para contestar a constitucionalidade da Lei da Dosimetria.
As ações judiciais focam especificamente no trecho da nova legislação que estabelece que, em situações de crimes contra o Estado Democrático de Direito e golpe de Estado praticados no mesmo contexto, seja aplicada somente a pena mais severa, sem a acumulação de punições, prática comum anteriormente.
Para os proponentes das ações, essa alteração legislativa poderia gerar um tratamento penal mais indulgente para delitos vinculados à ruptura institucional. Eles argumentam que isso permitiria que indivíduos condenados por ataques à democracia recebessem sanções mais brandas do que criminosos comuns, envolvidos em atos de violência.
Contexto da promulgação e veto presidencial
A promulgação da norma havia sido oficializada na sexta-feira (8), logo após o Congresso Nacional reverter o veto integral imposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governo federal havia justificado o veto, alegando que o texto contrariava o interesse público ao propor a redução de penas para crimes que atentam contra a democracia.
A essência da Lei da Dosimetria reside na diminuição das sanções penais aplicadas a condenados por tentativa de golpe de Estado, especialmente no contexto dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Naquela ocasião, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, após o resultado das eleições de 2022.
É importante ressaltar que o ministro Alexandre de Moraes atuou como relator das ações penais referentes aos atos golpistas, sendo o responsável pelas condenações dos envolvidos.
Ainda na sexta-feira, o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Verde (PV) anunciaram a intenção de acionar o STF, buscando contestar a constitucionalidade da recém-promulgada lei.

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