O ex-presidente norte-americano Donald Trump havia declarado que não convidaria o chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, para a próxima cúpula do G20, prevista para novembro nos Estados Unidos, país que preside o fórum neste ano. Desde o ano anterior, Trump tem disseminado alegações infundadas contra o governo da África do Sul, relacionadas a uma legislação de reforma agrária, e recentemente suspendeu a assistência financeira ao país.
Lula revelou ter conversado com o presidente Ramaphosa durante a semana, enfatizando que os Estados Unidos não possuem prerrogativa para impedir a participação de um membro fundador do G20. "Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não", declarou o presidente brasileiro.
Concedendo entrevista em Hanôver, Alemanha, após um encontro com o chanceler Friedrich Merz, o presidente brasileiro reforçou sua posição, afirmando que, se estivesse na posição de Ramaphosa, compareceria ao G20 "não como convidado, mas como membro fundador". Lula encontra-se em uma missão oficial pela Europa, que já incluiu a Espanha, segue pela Alemanha e terá Portugal como próxima parada antes de seu retorno à Brasília.
Questionado por repórteres, Lula reiterou que as alegações de Trump sobre um suposto "genocídio branco" na nação africana carecem de veracidade. Ele também salientou que o ex-presidente norte-americano não detém o direito ou a autoridade para vetar a participação de qualquer país no G20, o que, segundo ele, comprometeria a solidez do grupo.
"Se hoje a África do Sul for removida, em breve poderão ser a Alemanha, depois o Brasil. Se não nos unirmos e agirmos em conjunto, eles continuarão a excluir um por um. Este não é o Conselho da Paz", alertou Lula, referindo-se a uma suposta entidade controlada por Donald Trump.
O presidente brasileiro recordou que o G20 constitui um fórum multilateral, do qual ele próprio participou da fundação, em meio à crise econômica de 2008 – uma crise que teve origem nos Estados Unidos. "Aquilo foi criado para resolver problemas econômicos. Os 20 membros fundadores têm o direito de participar", concluiu.

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