A soberania nacional e a cooperação entre as nações africanas são apontadas como pilares essenciais para alcançar a paz, a estabilidade e a segurança em todo o continente. Adicionalmente, a aplicação de recursos em iniciativas voltadas para a população jovem e o aprimoramento do controle de fronteiras são considerados cruciais para que a região supere desafios prementes, como a ameaça do terrorismo.
Essa foi a mensagem central do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, realizado em Dacar, capital do Senegal. O evento abordou a necessidade de soluções sustentáveis para os desafios de estabilidade, integração e soberania enfrentados pela África.
Na cerimônia de abertura, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, destacou que o cenário global atual é marcado por tensões comerciais entre grandes potências, tendências protecionistas e os impactos das mudanças climáticas. Ele ressaltou que a África, embora não imune a essas crises globais, enfrenta ameaças adicionais como conflitos internos e o terrorismo.
O fórum, organizado anualmente pelo governo senegalês desde 2014, congrega altas autoridades governamentais, incluindo chefes de Estado, além de representantes de organizações internacionais e especialistas. A edição de 2026 contou com a participação de 38 países, sendo 18 nações africanas. O Brasil também esteve presente, representado pela embaixadora no Senegal, Daniella Xavier.
O presidente senegalês enfatizou que a busca pela soberania africana é fundamental, especialmente no que diz respeito à gestão de seus recursos naturais, como urânio, petróleo e gás. Ele defendeu que a extração, o processamento e a comercialização desses recursos devem beneficiar diretamente o continente, impulsionando sua transformação econômica.
Um foco particular do discurso foi a crescente ameaça do terrorismo na região do Sahel. Bassirou Diomaye explicou a expansão de grupos extremistas e a necessidade de uma resposta coordenada e multidimensional. Ele salientou que a instabilidade em um país do Sahel afeta diretamente os vizinhos, tornando a cooperação transfronteiriça indispensável.
O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, também abordou a questão da segurança, ligando-a à falta de representação estatal e à ausência de oportunidades para os jovens. Ele argumentou que investir na juventude é uma estratégia de segurança nacional, pois a falta de alternativas pode levar jovens ao recrutamento por grupos violentos e criminosos. Bio enfatizou que a paz vai além da ausência de conflito, sendo a garantia de dignidade e futuro para as populações.
Alinhado a essa visão, o presidente da Mauritânia, Mohamed Cheikh El Ghazouani, apontou que a integração regional é uma necessidade para a África enfrentar os desafios da globalização e da geopolítica. Ele defendeu o fortalecimento de blocos econômicos como a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) para reduzir dependências externas e ampliar a influência do continente no cenário internacional.
El Ghazouani também defendeu o fortalecimento da Cedeao como um motor de transformação econômica, ao promover o comércio e a circulação de pessoas e bens entre os países membros. A declaração foi uma referência às recentes saídas de Mali, Níger e Burkina Faso da comunidade econômica, que alegaram subordinação a interesses estrangeiros.
Entre os temas discutidos no fórum, destacaram-se a soberania tecnológica e digital, a gestão de recursos naturais, a transição política e a indústria de defesa. O evento reafirmou a importância da união e da autodeterminação africana para a construção de um futuro mais seguro e próspero.

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