Indígenas sem cabeças e braços: símbolo do ataque à memória e história (Foto Wagner Lemos)
Sergipe em primeiro lugar
O topo do pódio é lugar sempre desejado pelos atletas, sobretudo, os de alto rendimento. Milésimos de segundo separam os que vencem e os que perdem nas acirradas disputas.
Em questão de alcançar o topo, Sergipe é terra pródiga em nos conceder destaque.
Aqui e ali anunciam aos quatro ventos sermos a maior mina de potássio do hemisfério, sermos os donos de alta produção de petróleo ou da taxa elevada de algum outro rendimento.
Curiosamente, os índices são tão gigantescos sequer triscam na camada mais desfavorecida da população.
Royalties e demais benefícios não foram suficientes para reposicionar "a terra em que todo mundo se conhece" dos seus destaques.
A Sergipe, aliás, mais especificamente, àqueles que o tem governado nas últimas décadas, pertencem as taxas que colocam o estado como vencedor do índice elevadíssimo de mortalidade infantil em empate técnico com o vencedor nacional.
Na mesma toada, seguimos como campeões na insegurança alimentar (eufemismo para a palavra fome). Não bastando, também há o escandaloso nível de analfabetismo (junto com o desprezo destinado à carreira do magistério estadual e a ausência de interesse de investir na educação superior), bem como na enorme quantidade de humanos amontoados em corredores hospitalares.
O dito popular que "desgraça é bobagem" é bem levado a sério.
É suficiente olhar para a eliminação da vegetação nativa e para o abandono e degradação do patrimônio material. Ou ainda para como são excluídos e mortificados pessoas negras, PCD, mulheres e outros grupos minoritários.
Se não estivéssemos sendo tão bem governados nesses anos, poderíamos considerar que se trata de um projeto de destruição de mentalidades para ter melhor poder de manipulação das massas.
Felizmente, isso não é verdade. Há sempre estadistas na cadeira dos governos estadual e municipais.
Há outros índices campeões. Sobram as viagens ao exterior. Há até quem diga que se vai exportar renda irlandesa para a Irlanda ou cavaco chinês para China.
Sobram cargos em comissão para gente que, coincidentemente, aparece abanando bandeira e entregando santinho em período eleitoral.
Sobram festas contínuas e oba oba em ações soltas nas cidades do interior.
Ainda bem que vivemos em ambiente republicano. Se assim não fosse, diríamos que tudo não passa de ação eleitoreira para catar os votos dos incautos iludidos.
Não podemos nos furtar a fazer como escreveu Renato Russo: "vamos celebrar a estupidez humana".
Neste sergipano circo sem pão, os falastrões só aprenderam o último verso do hino estadual: "Vamos festejar".
Wagner Lemos, doutor em Literatura (USP), professor universitário (UNEB) e cidadão sergipano.

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